O Festival Fora do Eixo Goiânia, que aconteceu no dia 25 de Junho, fez tremer as bases do templo underground Martim Cererê. O Fora do Eixo levanta a bandeira da variedade de estilos e já levou essa proposta para capitais como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e no último sábado, trouxe essa bandeira para a nossa querida rock city.

Das 18 bandas previstas para tocarem no Festival, duas faltaram: All Sharks Massacre e Aurora Rules. Então, foi rock da banda Overfuzz que deu boas-vindas para a galera.
A Overfuzz, que tem uma pegada “stoner”, não esperava se tornar uma banda chamada para tocar em festivais como o Fora do Eixo. Tudo começou um tanto que descompromissadamente, então o trio fez três demos e foi chamado para se apresentar no DCE da UFG. Quem curte a banda pode esperar por novidade! Os meninos da Overfuzz pretendem gravar mais duas novas músicas em agosto.
Os The Bohemians também marcaram presença no Festival, não só com a sua musicalidade, mas também com a sua expressão. A banda, que em menos de um ano já fez parceria com a Fósforo Cultural, já é bem conhecida e elogiada no meio underground. O quinteto já lançou 2 singles, 1 EP e tem bastante experiência com grandes festivais. Já tocaram no Grito Rock e no Covernation (como cover dos Strokes) neste ano.
Após os The Bohemians, a banda Antes do Fim levou o público à loucura com seu metal hardcore. O palco ficou impregnado da boa fúria presente no metal hardcore e a galera cantava em coro as músicas. A banda confessa estar satisfeita com o que tem visto durante seus shows, tudo resultado de muita união do grupo e da forte interação que eles tentam manter com o público.
Depois foi a vez do rapper Ivo Mamona mandar um “papo-reto” para a galera! O cantor goiano recebeu da platéia muito mais do que ele esperava. Todo mundo foi ao delírio quando ele e o Mc Dyskreto chamaram a galera para subir no palco ao som de “Na Periferia”, a música sensação de Ivo. Quase todos sabiam a letra e por isso acompanhavam a música com a maior das animações!
No camarim, encontramos os rappers, que diziam estarem muito satisfeitos com a resposta do público no Festival Fora do Eixo. Perguntamos qual foi a sensação de tocar para mais de 25000 pessoas no FICA e eles disseram que tudo foi um tanto inusitado, porém, uma experiência maravilhosa e gratificante.
Ivo Mamona e Mc Dyscreto, assim como no FICA, conduziram a galera do Fora do Eixo para o mundo do rap de forma divertida e interativa. Mc Dyskreto confessou-nos que muitos têm uma visão errada quanto ao estilo musical, aceitando a idéia de que “rap é periferia”. Falou também da importância do Festival em mostrar que a segmentação musical aos poucos será quebrada e que “a galera do rock gosta de rap”.
O rapper Kamau, que também estava no camarim, também comentou sobre a proposta do Festival e disse achar importante esse contato com vários estilos musicais. Participou do Fora do Eixo em São Paulo e está gostando de ajudar a representar o rap. “Rock, Hip Hop, Rap, musicalidade, tudo junto”.
E o Festival não para por aí não, na verdade só está começando! Quem assumiu o palco depois de Ivo Mamona e Mc Dyskreto foi a banda de gênero folclórico Passarinhos do Cerrado. A galera mergulhou fundo nos sons do chocalho e do tambor fazendo uma mega roda de ciranda. Passarinhos do Cerrado nos conta que o ritmo da banda é chamado “Coco de Folia”, que é a mistura do Coco (ritmo nordestino dançante) com as letras inspiradas na “folia dos reis”, na congada e nas boiadas (tipicidades do cerrado). A próxima novidade da banda será o lançamento de um CD, previsto para Agosto.
A banda sul-mato-grossense Os Corleones também fez seu rock pra galera goiana. Com letras em português, que abordam temas como sexo, bebidas e a rapidez da vida, a banda, cujo nome é inspirado no filme O Poderoso Chefão, teve grande aceitação por parte do público local. Foi grande a animação com o beat rock sessentista da banda, influenciado pelos consagrados The Who, Beatles e Rolling Stones.
Os brasilienses também marcaram presença. Tivemos duas bandas de Brasília no Festival: Brown-há e Besouro do Rabo Branco. Os integrantes do Brown-há revelaram estar satisfeitos, pois a expectativa para o Festival foi grande. Fizeram seu som e, definitivamente, agradaram a galera. E o aspecto teatral do Besouro do Rabo Branco foi surpreendente! O vocalista era um tanto caricato, trajando saias, óculos escuros e com uma garrafa de vinho na mão. E além do figurino inovador, a banda trazia letras politizadas, como “será que o diabo inventou o deputado?”.

Outra atração que subiu no palco foi a banda Gloom, que também marcou presença no FICA, abrindo o show de Manu Chao para uma multidão de 30000 pessoas. A banda está ganhando cada vez mais destaque com o clipe “Tic Tac”, gravado em São Paulo, e a parceria com Móveis Coloniais de Acaju. O show de sábado surpreendeu os integrantes, aliás, os shows sempre os surpreendem, com a galera concentrada o tempo todo e curtindo o ritmo peculiar de Gloom.

E agora, sem desmerecer as demais bandas, mas ficou claro que o clímax do Festival foi o show da Banda Uó. O trio virou o centro das atenções e tinha até fã-clube grudado no palco durante o show. Roupas representativas e coloridas, expressão facial, gestos, dança sincronizada e, o principal, o Eletrobrega! Tudo isso que foi citado descreve direitinho o que é a Banda Uó, que tem sido sucesso, principalmente com o Hit “Shake de Amor”, cujo clipe tem mais de 120000 views no Youtube. O show não atraiu somente os fãs: quem curtiu foi desde o metaleiro ao rapper. Isso mostra mais uma vez que a barreira do preconceito musical deve ser quebrada. E aguardem, pois a banda promete lançar um EP com 5 músicas.
Depois do alvoroço causado pelo show da Banda Uó, o pessoal recebe os rocks da banda Evening, Mugo, Hellbenders e Rollin Chamas. E pra fechar, entra em cena o aguardado rapper paulistano Kamau.
O rock pesado da banda Mugo é sempre muito bem recebido pelo público. A banda sempre propicia as melhores rodinhas de Hardcore e desta vez não foi diferente, mesmo com o vocalista machucado. Muita gente batendo cabeça e mergulhando na zona de mosh! Em setembro tem coisa nova saindo: o segundo álbum da banda, “The Overwhelming End”. E, como diz a letra, “Blood and Soul. MUGO!”.
Mesmo com o pessoal já cansadíssimo, não faltou platéia nem animação pro show do Hellbenders e do Rollin Chamas. A galera vai ao delírio, a galera fecha os olhos e entoa as músicas!
Fim de Festival, Kamau faz seu show depois de “dar umas voltinhas de skate por Goiânia”, nos conta o rapper. O show durou pouco, devido à certos atrasos, mas fez a alegria da galera.
Rock Stoner, Rock pesado, Rock Alternativo, ou apenas o velho Rock, Coco de Folia, Eletrobrega, Rap… Foi essa linda colcha de retalhos que cobriu o Centro Cultural Martim Cererê na noite de Sábado, foi essa salada de ritmos que saboreou a boca da galera!
O Paralelo Mundi conversou com a banda Rollin Chamas no Fora do Eixo, confira aqui na íntegra essa entrevista exclusiva!
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